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BOMBEIROS DE LISBOA FICARÃO EM GREVE DURANTE NATAL


Tribunal Arbitral decide serviços mínimos para greve dos bombeiros em Lisboa no Natal

O Regimento de Sapadores Bombeiros informou que, por não ter chegado a acordo com a Câmara de Lisboa relativamente aos serviços mínimos durante a greve de 23 a 26 de dezembro, a decisão caberá ao Tribunal Arbitral.

Lisboa, Portugal – Em causa estão os serviços mínimos propostos pelo Regimento de Sapadores Bombeiros (RSB) para o aeroporto de Lisboa durante a greve que decorrerá entre as 20:00 do dia 23 e as 08:00 de 26 de dezembro, em protesto pela falta de condições laborais e de efetivos, anunciada na semana passada.

“Os bombeiros estão disponíveis para acompanhar vôos militares, vôos médicos ou qualquer vôo que venha em emergência, desde que o comandante avise”, alternativas recusadas pela Câmara de Lisboa, que pretende que o dispositivo execute “todos os serviços” habituais, disse hoje à agência Lusa o presidente do Sindicato Nacional de Bombeiros Profissionais (SNBP).

A Lusa tentou obter esclarecimentos por parte do município, sem sucesso até ao momento.

O sindicalista Sérgio Carvalho considerou que está “a ser negado o direito à greve” aos bombeiros que prestam socorro no aeroporto da capital, já que também não lhes foi apresentada nenhuma contraproposta.

“Vamos estar no aeroporto, mas só faremos estes serviços [mínimos]. Os outros serviços de prevenção e de apoio não faremos”, como esperar que os aviões aterrem ou descolem, adiantou.

Os protestos no aeroporto devem-se ao fim do contrato entre a Câmara de Lisboa e a ANA — Aeroportos de Portugal no final do ano. O destacamento do RSB que presta ali serviço há mais de duas décadas vai ser substituído, a partir de janeiro de 2015, por uma empresa privada que venceu um concurso público, válido para os próximos oito anos.

Entre outras reivindicações está a aquisição de equipamentos de proteção individual (EPI) e de viaturas, melhores condições de segurança, salubridade e habitabilidade dos quartéis e um reforço do subsídio de alimentação em turnos mais prolongados, apontou Sérgio Carvalho, admitindo que algumas das exigências têm vindo a ser solucionadas pela autarquia.

A estas acresce a falta de pessoal: “Somos 800 [bombeiros] e devíamos ser 1.112”, referiu o presidente do SNBP, assinalando que o concurso que a Câmara abriu para a entrada de 50 novos sapadores bombeiros, e que decorre até 15 de dezembro, devia incluir outros 50 efetivos, tendo em conta as aposentações.

Assim, o RSB decidiu manter a greve, após dois dias de negociação entre os bombeiros e os recursos humanos da Câmara de Lisboa e os responsáveis da Direção-Geral da Administração e do Emprego Público (DGAEP), lê-se na nota hoje divulgada pelo SNBP.

Quanto aos serviços mínimos para a restante cidade nos dias da paralisação, vai estar salvaguardado o “combate a incêndios; o socorro às populações em caso de incêndios, inundações, desabamentos e acidentes; o socorro a náufragos e as buscas subaquáticas e a emergência pré-hospitalar no âmbito do sistema integrado de urgência médica”, enumerou Sérgio Carvalho.

Na terça-feira, a Assembleia Municipal de Lisboa aprovou por maioria duas moções relativas à situação do RSB, uma apresentada pelo Partido Socialista, que apelava ao desbloqueamento da progressão de carreiras, e outra pelo Bloco de Esquerda, que defendia a manutenção dos bombeiros no aeroporto de Lisboa.

 

Greve Bombeiros Lisboa 2Os bombeiros Sapadores de Lisboa iniciaram uma greve de dez dias. Apenas responderão a serviços mínimos que envolvam o salvamento de pessoas.

Os bombeiros protestam contra a criação de um quinto turno de serviço, além dos quatro que actualmente existem, pela Câmara Municipal de Lisboa.

A greve tem início às 20.00 de hoje e decorre até às 24.00 de 8 de Janeiro. António Pascoal, do Sindicato dos Trabalhadores do Município de Lisboa (STML), realçou que “o aumento de um turno de serviço sem a entrada de novos elementos vai trazer uma redução de 25% nos turnos existentes, o que pode por em causa a segurança dos bombeiros e da população.

“Em média, neste momento temos 120 homens em cada serviço. Com as alterações, passam a ser 90, porque os outros 30 são necessários para criar o quinto turno. Vamos ter menos pessoal a trabalhar, vamos ter menos capacidade operacional e vamos ter de deixar de fazer muitos dos serviços que são feitos agora pelos sapadores bombeiros”, afirmou.

O sindicalista exemplifica que se os dois fogos que se ocorreram na sexta-feira e na madrugada de domingo, em Lisboa, acontecessem no mesmo dia, com a redução de pessoal para criar o quinto turno, os bombeiros não teriam capacidade para combater os dois incêndios ao mesmo tempo.

“Também não vamos ter capacidade de realizar o chamado pequeno socorro: fechar águas, abrir portas. E, mesmo os mais importantes, não sabemos se os conseguiremos fazer ou não, porque acontece que, às vezes, existem várias ocorrências ao mesmo tempo e poderemos não ter capacidade”, referiu.

 

Fonte: RPT Notícias / DN Portugal

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