Política

O QUE ESPERAR DO NOVO GOVERNADOR E DOS NOVOS DEPUTADOS DO DF PARA A SEGURANÇA PÚBLICA?


Depois da eleição a emoção que envolve esse evento começa a diminuir, os amigos de posições contrárias começam a se falar e as instituições que defendiam cada candidato começam a se perguntar: O QUE ESPERAR DO NOVO GOVERNADOR?

Bem, essa pergunta é um tanto difícil, já que o novo governador em questão tem uma história política discreta sem muita propaganda. Os críticos podem entender isso como resultado de pouco trabalho, mas seus defensores preferem dizer que ele prefere a discrição.

Não importa, pois para os que defendiam Frejat ou o ex-governador Agnelo (quase ninguém) não adianta chorar pelo leite derramado. É preciso ter maturidade para entender que no sistema democrático uns ganham e outros perdem, mas o governador deve ser eleito para governar para TODOS.

Partindo da premissa que o ainda senador Rollemberg agora será o governador de todos, os grupos, associações e políticos que foram candidatos para defender interesses dos profissionais das duas corporações, CBMDF e PMDF, devem agora se articular para cobrar as promessas feitas na campanha e também para construir um diálogo favorável aos militares. Não deve haver paixões partidárias ou interesses pessoais nesta hora, ainda que tenha havido esse ou aquele boato de como possivelmente seria o tratamento dispensado a este segmento da segurança pública.

Se há um tema que está em alta e que foi um dos slogans do PSB no campo nacional, além de ser muito utilizado na campanha de Rollemberg é o da NOVA POLÍTICA. Há muita ênfase na transparência e nas decisões democráticas em seu discurso. Um de seus projetos é justamente o de eleição direta para administradores regionais das cidades satélites. Em reunião com bombeiros o senador disse que pretende tomar decisões sobre os militares ouvindo a MAIORIA. Se este for seu Modus Operandi de governar, os praças podem ter encontrado seu “príncipe encantado”, afinal representam maioria esmagadora das duas corporações.

Rodrigo Rollemberg

O QUE ESPERAR DO NOVO GOVERNADOR?

Ainda é cedo pra saber. É preciso esperar alguns meses até que Rollemberg saiba o que está por trás da maquiagem que Agnelo e o PT esconderam do povo. Uma coisa é certa, o novo governador não precisa pesquisar muito pra saber o que os policiais e bombeiros querem dele. Aliás, as palavras estavam na boca de todos os candidatos quando se perguntava sobre as duas corporações: RESTRUTURAÇÃO DA CARREIRA, CARREIRA ÚNICA e CÓDIGO DE ÉTICA. Apesar destas serem as palavras mais utilizadas pelos candidatos ao Buriti, existem muitas outras mudanças que são primordiais para melhoria destas corporações. As diferenças que envolvem praças e oficiais com relação a algumas gratificações e auxílios, terceirização das guardas de unidades militares, igualdade de vagas em cursos externos ou gratificados, adequação do serviço voluntário e até a desmilitarização, entre outros temas.

 

REPRESENTANTES DA SEGURANÇA PÚBLICA

Ideal Coletivo

Ideal Coletivo

Esta eleição foi marcada por uma divisão sem precedentes nos votos dos militares. Um projeto idealizado por militares do Corpo de Bombeiros chamado IDEAL COLETIVO, realizou uma pesquisa prévia onde apenas candidatos pertencentes a corporação puderam se inscrever. A pesquisa foi realizada para os cargos de deputados distrital e federal. A proposta era de que os vitoriosos desta pesquisa tivessem uma sugestão de candidato de maior influência na tropa. Segundo um dos idealizadores, o Sgt Idjalmo, o Ideal Coletivo tem uma proposta inovadora e moderna para propor uma representação política com a cara dos bombeiros, e assim minimizar as perdas do voto segmentado. Para deputado federal o mais votado na pesquisa foi o Sgt. Will Godoy (PP) que durante a eleição obteve 4004 votos e não teve êxito. Contudo, para deputado distrital o bombeiro mais votado na pesquisa foi o Sgt. Roosevelt Vilela (PSB), que obteve 8957 votos. Embora não tendo sido eleito dentro das 24 vagas para a Câmara Legislativa, Roosevelt tem grande chance de ocupar uma das cadeiras da CLDF pois é o primeiro suplente da coligação de Rodrigo Rollemberg. O futuro governador poderá utilizar alguns dos deputados eleitos como Joe Valle, Sandra Faraj, Celina Leão ou Reginaldo Veras para algumas das secretarias, administrações ou outras funções do executivo, garantindo a vaga para Roosevelt.

Na Polícia Militar a fragmentação dos votos foi mais intensa e como houve uma grande quantidade de candidatos, aliado a um desgaste dos últimos representantes eleitos pela categoria, tudo isso culminou com uma ausência de representação. Contudo, assim como no caso dos bombeiros, um policial militar ficou como suplente e por pouco não ficou entre os 24 deputados eleitos. É o caso do Guarda Jânio (PRTB) que ficou em 25° lugar e é o primeiro suplente de sua coligação. Contudo, para ocupar alguma vaga, seu partido que inicialmente apoiou Jofran Frejat para o Buriti, terá que fazer alguma negociação com o PSB de Rollemberg para fazer parte do novo governo. Se assim fizer, o PRTB tem eleitos Juarezão e Liliane Roriz que poderiam então sair para alguma atividade diferenciada e ceder a vaga para Jânio.

A PCDF reelegeu seus representantes locais, o delegado Dr. Michel (PP), que é pai de um bombeiro e o agente Welington Luis (PTB) que é ex-bombeiro, ambos para o segundo mandato.

Para a Câmara dos Deputados o Cel Fraga (DEM) foi o deputado mais votado tendo expressivos 155.056 votos. A Polícia Civil elegeu o delegado Laerte Bessa (PR). Ambos ficaram de fora na última eleição e agora retornam a vida parlamentar. Outros policiais que não se elegeram mas são suplentes são os delegados da PCDF Alírio Neto (PEN) e Policial Federal Sandro Avelar (PMDB), ex-secretário de segurança pública do DF.

Uma curiosidade acerca de Rodrigo Rollemberg é que sua filha é casada com um bombeiro militar. Além dele e do Dr. Michel, mais uma parlamentar tem vínculo familiar com militares. É o caso de Luzia de Paula (PEN) que é mãe de um bombeiro.

Outro fato que deve ser mencionado são os deputados que foram eleitos anteriormente e que não estarão mais na nova composição da bancada do DF. São eles os deputados distritais Patrício (PT) e Aylton Gomes (PR). Patrício se candidatou ao cargo de deputado federal mas seus desgaste diante da tropa era muito forte e mesmo tendo pouco mais de 15 mil votos, passou distante das 8 vagas para a CF. Aylton Gomes por sua vez ficou no caminho por ter sido barrado pelo Lei da Ficha Limpa.

Veja como ficou:

BANCADA DO DF

 

Que venha 2015, com sua nova composição política, com um novo governo e com novas lutas e vitórias da segurança pública do DF. Os bombeiros e policiais almejam por um governo justo, solidário e equilibrado que tenha coragem e força de vontade para corrigir as distorções que cada uma destas instituições tem. Uma tropa de valor, moderna e motivada precisa de bons salários, fluidez na carreira e bom diálogo com o governo, pois assim a sociedade terá além de um serviço de qualidade, cada dia mais orgulho e confiança nestes profissionais.

Print Friendly